cross docking vale a pena

Hoje vamos falar de uma das partes mais importantes para o funcionamento do e-commerce e consequentemente a satisfação do cliente: A logística.

Uma vez feita a compra, o cliente começa a contar os dias para a entrega, não importa o que seja nem de onde venha. Para o lojista, isso significa encontrar uma forma de fazer os produtos circularem de forma rápida, sem que isso aumente o trabalho ou interfira em outros setores.

Como fazer para que os produtos oferecidos cheguem até o cliente de maneira eficiente com custos reduzidos para o lojista?

Hoje vamos mostrar uma das possibilidades: o cross docking. Veremos seu significado, suas vantagens, desvantagens e alternativas disponíveis. O termo pode ser traduzido do inglês para cruzamento de docas, e é exatamente esse o princípio.

O conceito de cross docking pressupõe, além da circulação rápida de mercadorias, uma maior agilidade e redução no espaço necessário para armazenagem de estoque.

O pedido chega em um centro de distribuição e depois é enviado para o cliente. Eles então enviam apenas o número de produtos já vendidos. O lojista precisa organizar e conferir e então enviar direto ao cliente, sem a necessidade de estocar produtos num espaço físico.

Vantagens e desvantagens do Cross Docking

As vantagens desse tipo de logística são muitas. Entre elas podemos destacar:

  • Economia de espaço: Como vimos anteriormente, esse sistema anula a necessidade de um espaço dedicado ao estoque de produtos.
  • Sem produtos encalhados: Como os pedidos são feitos de acordo com a demanda, o lojista não corre o risco de pegar mais produtos do que o necessário e acabar com mercadorias sobrando.
  • Redução de custos: Como normalmente as marcas de e-commerce não possuem loja física, um dos maiores gastos do lojista é com o espaço para guardar suas mercadorias. Mas esse gasto passa a não existir mais.
  • O espaço para distribuição pode ser bem menor, uma vez que não é preciso preocupar com estocagem de produtos.
  • Maior rotatividade, gerando uma receita mais rápida e eficiente.

Tais vantagens geram – claro – muitos benefícios aos lojistas. Mas não podemos esquecer as desvantagens. É notável que esse tipo de relação comercial exige que todos os elementos estejam em sintonia.

Os pedidos precisam ser transferidos de forma eficiente para o fornecedor para que a entrega não demore demais e acabe se tornando uma desvantagem para o cliente. Mas os problemas podem ir muito mais além:

  • Laços mais fracos. O fornecedor, por não ter certeza da venda de seus produtos, pode acabar desenvolvendo laços comerciais mais fracos com o lojista. Como os pedidos não tem número ou data pré-definidos, trata-se de um risco maior para quem fornece os produtos.
  • Risco de Stock Out. A falta de um estoque emergencial no local pode gerar problemas de falta de produtos.
  • Aumento de custos na entrega. Como haverá muito mais descarregamentos ao longo do mês, o lojista precisa pensar nessa despesa extra.
  • Prazo de entrega. Alguns segmentos exigem prazos de entrega muito curtos, e ter o produto já na loja quando o pedido é feito adianta muito o processo.
  • Investimento em Gestão. O Cross Docking exige uma equipe muito bem treinada, e isso pode gerar custos adicionais. Profissionais mais especializados custam mais caro.

Cross Docking no Brasil: empresas que utilizam

Por ser pouco conhecido – e consequentemente pouco utilizado – no Brasil, algumas peças necessárias na engrenagem do cross docking não estão bem encaixadas e isso pode gerar problemas.

Muitos fabricantes, distribuidores, lojas e consumidores não conhecem bem o sistema e por isso podem ocorrer problemas de sincronia. Como o sistema precisa que tudo esteja funcionando bem, trata-se de um esforço a ser feito em conjunto.

Mas não quer dizer que seja impossível. Nós temos alguns exemplos de empresas que trabalham com cross docking muito bem. Algumas empresas de grande porte e atuação em todo país fazem uso da logística cross docking para facilitar e baratear seus serviços.

É o caso por exemplo da Perdigão. Ao invés de espalhar fábricas em todas as regiões, eles possuem centros de distribuição (CD) espalhados em locais estratégicos.

Assim, uma mesma fábrica pode atender a várias CDs diferentes de acordo com suas necessidades. Isso fez com que eles englobassem com o tempo a distribuição de produtos de várias outras empresas.

Outra grande empresa que faz uso do cross docking é o Wallmart. Eles foram os primeiros a implementar o sistema cross docking nos anos 1970. Isso aconteceu porque, em sua criação, muitos fornecedores não estavam dispostos a ir até as lojas do interior para deixar seus produtos.

Esse sistema acabou otimizando os serviços da rede, que hoje conta com 11 mil lojas, em 28 países. Com o tempo, eles conseguiram também a vantagem de oferecer muito mais produtos do que as lojas físicas poderiam comportar.

O Cross Docking vale a pena para meu e-commerce?

cross docking vale a pena

Agora que você já sabe como funciona o sistema e suas vantagens e desvantagens, deve estar se perguntando: Será que já é o momento de adotar o sistema de cross docking na minha empresa? O que tenho que ter para saber que dará tudo certo?

A primeira coisa a se pensar é a comunicação, seja ela dentro ou fora da empresa. Para que o sistema do cross docking funcione sem dificuldade é preciso que os setores da empresa estejam em ordem.

Um pedido feito errado ou recebido errado pode gerar diversos problemas, incluindo atraso na mercadoria. Para isso também é preciso observar sua relação com os fornecedores. Alguns fornecedores podem escolher não trabalhar com esse sistema.

Se você errar os pedidos ou não organizar direito, pode acabar fazendo com que seu fornecedor tenha muito mais trabalho do que rendimento e não queira mais se envolver com as vendas – ou com o sistema.

A comunicação também precisa ser rápida e fácil, cada dia que o processo leva é mais um dia para o cliente sem seu produto.

Falando nisso, é preciso observar se o seu nicho comporta os prazos necessários. Como sabemos, o cross docking exige um período de entrega maior do que as vendas comuns e nem todos os setores estão aptos – ou até mesmo dispostos – a esperar.

Lembre-se: Um atraso na entrega reflete negativamente apenas para o lojista, independente de quem seja o real responsável.

Como implementar essa logística no seu negócio

Agora que você decidiu entrar de vez no mundo do cross docking, e quer trabalhar com estoque terceirizado, precisa saber como fazê-lo. Antes de virar a empresa de cabeça para baixo, faça pequenos testes.

Você pode começar com apenas um produto. Veja se a logística funciona e como os clientes respondem a essas condições.

Mesmo uma coisa que parece pequena agora pode virar uma bola de neve interminável.

Outra opção é ter mais de um prazo de entrega. Coloque opções para que seu cliente possa receber o produto mais rápido ou no tempo necessário para o cross docking. As pessoas estão dispostas a esperar? Se sim, talvez valha a pena.

É importante lembrar que, apesar de muito bom, o Cross Docking necessita de bastante investimento e em geral é utilizado em empresas de grande porte.

Os custos altos variam desde a necessidade de um sistema de distribuição eficiente até uma equipe bem treinada e preparada para funcionar em harmonia com o resto da cadeia.

Se depois de analisar todos esses dados você descobrir que vale a pena aderir ao sistema, aqui estão os passos a serem seguidos:

Tenha um bom ERP (Enterprise Resource Planning)

Para que o cross docking funcione, a empresa precisa estar bem alinhada. É preciso saber com rapidez e precisão se todas as mercadorias estão sendo recebidas da melhor maneira possível, se estão sendo verificadas e se estão sendo enviadas corretamente.

Se você quer saber mais sobre o funcionamento de um ERP para gerenciamento de estoque terceirizado, indicamos o Ebook gratuito da Eccosys.

Tenha uma equipe alinhada e bem treinada

Para que o item anterior funcione, é preciso uma ótima equipe. Isso significa profissionais mais bem preparados e que saibam trabalhar bem com múltiplas tarefas e atividades. Também é preciso que a equipe esteja sincronizada e trabalhe bem.

Negociação com fornecedores

Essa é a hora de escolher os produtos. Você pode fazer uma transição gradual ou não. Isso depende dos testes que você fez anteriormente e do seu fornecedor. Aliás, essa é a hora de encontrar os fornecedores certos.

Se você já tem fornecedores, converse com eles sobre o cross docking. É importante que tudo esteja bem explicado e combinado para que nada dê errado.

Design e justificativa econômica

Trace seu plano. Desenvolva as estratégias econômicas e veja quais delas funcionam melhor. Busque aquelas que facilitem a comunicação e que sejam comercialmente viáveis.

Escolha os produtos cuja mudança realmente justifique. Faça cálculos de quanto esse produto custa pra você hoje e quanto custará após a implementação do cross docking.

Embora economize em espaço e estoque, o cross docking gera gastos de transporte e equipe a mais. Veja se a economia de um lado não se perde no gasto de outro.

Implementação

Agora que você tem todos os dados, já fez os testes e tem certeza que a equipe está preparada, implemente! Você pode começar com os produtos que já deram certo no teste e depois ir ampliando para o estoque inteiro.

Ao longo dessa trajetória você pode perceber que nem tudo que tinha sido planejado vai funcionar na prática. Esteja aberto a mudanças nos planos visando o melhor funcionamento do projeto.

Muitas das coisas que parecem ótimas no planejamento não funcionam tão bem na prática. E é preciso não só saber reconhecer isso mas modificar o mais rápido possível e evitar maiores complicações.

E se você não tem investimento suficiente para o Cross Docking? Quais são as alternativas?

Mas calma. Se depois de ler isso tudo você está achando muito complicado, que não se encaixa no que sua empresa precisa, ou não tem investimento suficiente para fazer temos opções mais viáveis. Vamos falar um pouco de drop shipping?

Nesse método você ainda possui um estoque, mas ele é responsabilidade de outra empresa. Nesse caso a mercadoria não passa pelo lojista. Ela já sai do fornecedor direto para o cliente!

Você deve estar se perguntando: com essa alternativa de vendas com o drop shipping, o meu investimento será menor?

Sim! Com o drop shipping você pode montar a sua loja virtual sem estoque de produtos!

As vantagens não inúmeras. Pra começar, é mais barato. A única coisa que o lojista precisa fazer é tomar conta da página do e-commerce, ou seja, a sua loja virtual, coisa que ele teria que fazer de qualquer forma.

Você ainda precisa observar as vendas e acompanhar se os pedidos estão sendo entregues, claro. E precisa sim manter uma boa comunicação com o seu fornecedor drop shipping. Mas não precisa se preocupar tanto com as complicações do processo.

Outra coisa importante é a mobilidade. O aluguel de um espaço na sua região é muito caro? Não existem armazéns disponíveis? Não tem problema.

Esse modelo também oferece a vantagem da variedade de produtos. Uma vez que você não precisa do produto em mãos, dá para focar em coisas específicas e de nicho que não vende em massa.

Outra grande vantagem é quanto a facilidade de ampliar o negócio. Em empresas com estoque físico ou que são responsáveis pelo transporte, ampliar as vendas significa custos adicionais igualmente maiores. No caso do dropshipping não. Basta fazer pedidos maiores.

Como implementar o drop shipping no meu e-commerce?

cross docking e drop shipping

Mas e agora, como eu implemento esse sistema?

Fornecedores

Tudo começa com a escolha de fornecedores confiáveis. Procure por aqueles com produtos de confiança. Esteja atento ao processo de envio e o quão disponível são as informações para você. Você precisa saber exatamente como, quando e onde estão as mercadorias.

Oferta para o usuário

Depois de escolhidos os fornecedores, eles vão dizer quantos produtos podem estar disponíveis e qual o preço que deve ser cobrado por eles.

Dessa forma, quando o pedido for feito em seu e-commerce pode ir direto para o consumidor. O fornecedor é responsável então por embalar e enviar o produto ao cliente. Também é responsabilidade dele fornecer – se possível – o código de rastreio para o usuário.

E se houverem devoluções?

Nesse caso é sua responsabilidade conversar com o cliente e chegar na melhor solução possível. Depois, converse com o fornecedor para que a troca ou devolução seja efetuada corretamente.

É importante lembrar que mesmo no sistema de dropshipping, o seu e-commerce é a imagem que o cliente tem do fornecedor. Isso significa que as experiências do usuário, sejam elas positivas ou negativas, refletem na imagem do seu e-commerce, não do fornecedor.

Drop shipping: próximos passos

Como vimos, a melhor solução para e-commerces de pequeno porte ou que não podem investir muito inicialmente é o drop shipping. É uma alternativa mais barata, simples e palpável para o seu negócio.

Se você quer implementar o drop shipping da melhor forma possível, com técnicas que poucas pessoas conhecem e que podem ser o seu diferencial no mercado, assista aqui um vídeo que eu fiz para explicar melhor.

Caio Ferreira é especialista em e-commerce, marketing direto e dropshipping. Criou o curso de dropshipping do Brasil mais completo do Brasil - o Negócio em 21 Dias 2.0 - e ajudou milhares de pessoas a mudarem de vida criando suas próprias lojas virtuais na internet sem gastar nenhum centavo comprando estoque de mercadorias.

2 COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here